quarta-feira, janeiro 20, 2010

Minha Teoria; Meus Cálculos

Eu não sei aonde a estrada me levará. Nem imagino quantos passos serei obrigado a percorrer. Minha intenção não é mensurar o quanto, por livre e espontânea vontade, andei .
Mas há algo que é certo: parado não hei de ficar . Meu destino é o movimento . Não o uniforme. Muito menos o retrógrado. Nasci para me mover de maneira variada, embora o percurso seja um só: o vertical ! Que ascende e me acende. Leva-me às alturas... E, de lá, devaneio.
É uma viagem agradável, pois me eleva a outros planos . E, então, executo meus planos. Confabulo baixinho , em meio a minha sandice mentalmente escrita . Com palavras que só eu vejo. Com descrições que ninguém mais entende. Com notas de rodapé intraduzíveis . Eu. Só eu. Ponho em prática aquilo que entendo por “a soma dos quadrados dos catetos é igual à soma da Hipotenusa” . Num teorema que é meu. Com regras complexas que outrem ignora. No entanto, a mim, faz um sentido profícuo e tangível .
Enfim, em meio a este universo que faz “O Fantástico Mundo de Bob” parecer uma existência irrefutável e “O Fabuloso Destino de Ámelie Poulain” uma história real, dou sentido àquilo que sou. Às coisas que desejo... Essa é minha fórmula . É assim que resolvo a equação . Ora avanço; ora recuo um dos pés para andar. Mexer. Chegar!

"A matemática é a única ciência exata em que nunca se sabe do que se está a falar nem se aquilo que se diz é verdadeiro."
(Bertrand Russel)


segunda-feira, janeiro 11, 2010

De Volta à Terra Natal


Madrugada. Silêncio extremo. Há malas prontas. Sacolas preparadas. E uma ansiedade incontrolável que comprometeu o sono. Pensamentos soltos. Inconstância. Muito tempo se passou desde a última vez. A distância é incomensurável, embora a sensação que prevaleça seja a de proximidade. Existem indícios de que serão bons momentos. Mas não passam de insinuações. Justificativas hipotéticas. Suposições. Suspeitas.

Hora de acordar. Acontece o despertar daquilo que era para ter sido o “ato de dormir”, seguido pela primeira locomoção. Há poucos carros e um silêncio incomum à cidade grande. Ainda é noite. No entanto faz-se preciso seguir pelo caminho. Primeira parada. Muita gente. Diversas bagagens. A espera. As cogitações. O relógio. O embarque.Uma coincidência aqui. Outra acolá. E o deslocamento acontece. Estradas. Pavimentações. Poeira. Vento na cara. Paradas. Comida boa. Vegetação diversa. Outro clima. Rapidamente entardece. Num piscar de olhos é noite. Chove. Faz frio. Os olhos se fecham. Voltam a abrir. Já é outro dia. Falta pouco. Tudo é verde ao redor. Só mais um pouquinho... Basta seguir. Já se pode sentir o cheiro do mato. O odor produzido pelos dejetos das vaquinhas leiteiras. O som dos pássaros raros. O barulho da água dos rios. Parece sonho! Sonhar. Não. Só AR! Os peitos se enchem. Podem-se ver os casebres vindo em direção. Eles aumentam de tamanho. Crescem como se tivessem tomado uma pilulazinha mágica. Ou como se olhos fossem super binóculos especializados na aproximação. E tudo é próximo. E tudo é pró (nada contra). Então, chegam-se à cidade da fantasia. Na qual os amigos de verdade existem e a infância volta à tona. Onde as estrelas ficam mais visíveis e, o melhor, mais próximas. Portanto, é notável que não importa o quanto tempo passe. Esse lugarzinho quase celestial continuará a existir. E todos são BEM-VINDOS!

"Cidade natal:
Até as flores do espinheiro,

No mesmo lugar."


(Paulo Franchetti)