quinta-feira, maio 06, 2010

Curriculum Vitae

Eu sou quem grandes personalidades e instituições procuram. Tenho o perfil
de mercado e proatividade é o traço mais marcante de meu perfil. Não
bebo. Não fumo. Não uso drogas. Enfim, não vivo! Dedico-me a conseguir
um emprego que preste. Reste. Este?
Para
quem se interessa, de fato, segue o resumo de meus invejáveis diferenciais. Com toda a desenvoltura que me é peculiar, executo diversas ações, tais como:


Ler e escrever (fui alfabetizado desde muito cedo e tenho todos os dedos das mãos);

Capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas
(LEI DE GAGA = (RAH)² (AH)³ + RO (MA) + RO (MA)² + (GA)² + OOH(LA)² = Want your Bad Romance).

Interpretar (fiz teatro na Academia Brasileira de Dramaturgia);

Cidadão (voto desde os 16 anos e já fui mesário duas vezes);

Marionete, não (já basta o coitado do Pinóquio -
Gepetto Maldoso);

Pesquisar e usar a informação adquirida (tem alguma dúvida? Jogue no Google para você ver!);

Saber planejar (desde de pequenininho que gosto de brincar de "Caça ao
Tesouro". Fazia planos tão completos, que nem eu conseguia encontrar o
"x" da questão);

Falar bem (afinal, no emprego não faltará quem falará mal);

Ter versatilidade (sou mais adaptável que um camaleão);

Falar melhor ainda ("MELHOR AINDA!");

Aprender sempre (até escovar cabelo eu sei);

Pensar acompanhado (pena que eu ainda esteja solteiro, ou melhor: disponível no mercado!);

Criatividade (é melhor aproveitarem, pois está quase acabando).


Duílio Castro
Graduando Desesperado em Comunicação Social

3255-2001

quinta-feira, abril 29, 2010

Em Cartaz

Talvez uma ultrapassada metáfora ainda chame a atenção de alguns leitores.


CENA I



Toca-se uma música triste e arrastada. No palco de madeira, surrado pelo tempo, ouvem-se os passos daquele que, apesar de ator principal, não comporta em si qualquer atrativo. Com pesar, ele se encaminha rumo ao facho de luz refletido pelo grande holofote no centro do tablado. A platéia encontra-se em silêncio; apreensiva; ansiosa. Mas não faz idéia do que esperar. Nem imagina o que virá a seguir. A melodia cessa. O personagem, que nem precisou de maquiagem para se caracterizar, para inexpressivo frente ao público, que espera, agora, impaciente. Um burburinho de insatisfação sufoca o ambiente. As cadeiras rangem mediante o desconforto dos expectadores. O jovem sem graça entreabre os lábios, entretanto não termina o movimento. A sensação perceptível fora a de que aquela figura nefasta esquecera o texto. Porém não havia nada a ser dito. Nenhuma palavra a ser pronunciada. Aquela imagem dramática, então, abaixa a cabeça de maneira lenta. As pessoas presentes se entreolham, confusas. O teatro volta a ficar taciturno. Nem a respiração se podia ouvir... Até que, de maneira cortante e aguda, uma espessa lágrima toca o chão.

FIM DO I ATO