sábado, junho 12, 2010

Eu sou o Tarzan. Sai pra lá, macaca Chita!



Céu aberto. Perigo à vista! É isso mesmo. E às vezes tudo o que resta é você. Sem ninguém. Onde tudo o que tem é o nada. O ermo. Não confie. Não ame. Não sonhe. Não crie expectativas. Deixe de existir! Porque esta será a única maneira de cultivar essa floresta de negações.

Sua boa vontade é como sapato de cristal em pé de gata borralheira - e quero ver conseguir se locomover neste chão castigado pela seca. Sua dedicação e preocupação são como carne nobre lançada aos animais. Seu espírito altruísta e boa vontade não passam de elementos desencantados, que não fazem mais o menor efeito.

Portanto, seja você. Apenas. Envolva a si próprio em seus sonhos. Suas emoções em seus textos. Seus desejos em cada ação que realizar. Mas se importe menos. Há pessoas que não merecem tanta atenção assim. Procuram-no por iteresse. Porque é cômodo tê-lo como aliado. Para aconselhar quando estiverem prestes a enfiar o pé na jaca. Quando a prova for difícil demais para seu cérebro de minhoca. Ou quando a apresentação em grupo for constragedora para sua dicção defeituosa e voz de taquara rachada...

Por mim, os bichos ficariam restritos aos zoológicos, às savanas e às matas que lhes são peculiar. Trazê-los para a domesticação dá um trabalho da moléstia. E já há muito sofrimento em jogo...

Quer saber? De agora em diante, terão de caçar sozinhos! Aventurem-se na "selva de pedras". Usem as garras. Enganem outras presas, predadores insaciáveis. Eu já estou precavido. Já aprontei as armadilhas. Carreguei meu rifle. Então é bom manter uma distância considerável. Não tenho MAIS medo de suas peripécias e macaquices!

quinta-feira, junho 03, 2010

Imper(hiper)ativo



Em câmera lenta. É assim que a gente costuma se sentir depois de horas a fio trabalhando. Após ter dedicado tempo e energia excessivos num projeto. Ao término do intento, é como se a vida passasse a discorrer mais de - va - gar! Sem nenhuma pressa ou ansiedade. Porque o seu corpo e mente pedem descanso. Não só para que se consiga relaxar, mas para que seja possível refletir a respeito de tudo quanto foi feito... Detalhes. Caretas. Medos. Risos. Silêncio.

É um corre-corre daqui; uma agitação de acolá. Senta. Levanta. Dorme pouco. Fica acordado até tarde. Passos largos. Mãos furiosas. Assim fica melhor. Aquela cor é mais agradável. A ideia não atende às nossas necessidades. Néscios. Idades.

Faça. Venda. Divulgue. Supere-se. Mostre. Impacte. Inove. Mude. Cuide. Veja. Reveja. Ouse. Ore. Creia. Faça crer. Comova. Surpeenda (se)... E não dá para ficar parado. Há muitos detalhes com os quais se preocupar. Há muitas minúcias que merecem atenção. Os textos precisam ser revisados. Os conceitos, revistos.

O prazo está prestes a expirar. A gente nem lembra de inspirar. Esquece-se de respirar. E apenas faz - ou tenta fazer. Acontecer. Num meio onde pouco importa o quê ou como se pensa. Onde suas propostas geralmente são rejeitadas. Para maior sinceridade, elas nem são lidas. Mas, ainda assim, avaliadas.

E então, quando as coisas se acalmam; quando sobram alguns valiosos segundos, a gente pode refletir. Não como agente. Mas como seres humanos. Que se tornaram hiperativos por conta do selva de imperativos. Que nos cutucam. Nos pirraçam. Nos podam. Cortam-nos pela raiz. Tudo para que geremos não o nosso, mas o fruto que eles almejam. No período e da meneira que esperam.

E se pode perceber, por fim, que tudo o que não se pode fazer é ficar parado. Mas decidir como e por que quer se movimentar. Idependemente do que seja imposto. Sem que se importe com o ritmo.