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sábado, maio 21, 2011

Sem Sentido



O mundo ribombando lá fora, e eu mudo aqui dentro. Não menos agitado que o de costume, mas, ainda assim, quieto. Talvez por medo do amanhã, incerto. Talvez por pressa de querer que a incerteza passe logo. Talvez pelo logo, que vem depressa, e traz a incerteza.

O fato é que, por mais bagunçadas que as coisas estejam; por mais disformes que pareçam os sentimentos; nada mudou. Toda essa balbúrdia é, somente, para estabelecer novas regras; reajustar os ponteiros de um relógio atemporal, todavia funcional e cíclico.

Surpreendetemente, por maior e mais demorada que seja a bagunça, as peças sempre acabam se encaixando. É como se cada cantinho da sala do meu ser pudesse comportar os seus objetos convencionais, abrigar novos e, periodicamente, reajustá-los. Faz um pouco de barulho - e é exatamente por isso que é mais prudente o "calar-se". É no silêncio (ou naquilo que se entende por este) que as maiores revoluções acontecem. Sem grito. Sem sangue. Porém com dor, em quase todos os casos. Porque não dá para estruturar tudo sem que se perca partes.

Para ser franco, não sei sobre o que escrevo. Desconheço, de igual modo, a necessidade de que essas palavras, tão grotescas como o meu interior nesse momento, façam algum sentido. Elas só quem ser livres. Desprenderem-se, portanto, sem nenhuma obrigação com minha causa ou com o fato de que, de algum modo, surtirão efeito. Colateral. Cola. Late. Lateral.

sábado, janeiro 29, 2011

O Caminhão de Mudança

Nota: a data do post é a que aparece para você, mas refleti sobre o tema no dia 27 de janeiro. 





Parece piada, de gosto duvidoso, tudo o que acontece quando a época de meu aniversário se aproxima. E, acredite, eu sou um cético quando o assunto é "inferno astral" e temas relacionados. Mesmo assim, quando a data mais esperada, para mim, venha chegando (e carregue em si o espectro impiedoso da velhice), o mundo muda de cor - eu sei de cor -, o relógio acelera, as nuvens escuras pairam... Tudo se torna muito estranho, embora já comum. A cabeça fica cheia, o corpo se sente exausto; falta a boa fibra da animação. E o que era para ser divertido, acaba por se tornar um período de sensações e situações de péssimo gosto.

Esse caminhão entulhado de maus presságios estacionou em minha porta faz tempo. Ele vai embora, é verdade, mas com data marcada sempre volta para ocupar espaço. E para bem em frente à "área proibida". No entanto, os guardas e demais vigilantes parecem tirar férias quando tais irregularidades acontecem. O telefone para o guincho encontra-se sempre ocupado - e mesmo que não estivesse, eu não encontraria atendentes na linha.

A saída tem sido esperar. Sempre. Assim como veio, o "baú sobre 4 rodas" parte (só que em momento desconhecido). Meu desejo, no entanto, é que ele vá um pouco mais depressa esse ano. Sem levar muita coisa, além daquilo que realmente não presta; perdeu a utilidade, de algum modo. Espero que entenda, de uma vez por todas, que não estou pronto para ser transportado. Sou um móvel - embora imóvel - em bom estado de conservação. Talvez com as pernas por lixar e necessitando de uma boa mão de verniz, mas, ainda assim, útil.

Até que ele compreenda a mensagem, então, ficarei sob o amarelado lençol - que já fora branco numa outra era -, protegendo-me da poeira fina, comum a qualquer cotidiano, e de algumas outras mais possíveis intempéries.

Créditos: Imagem retirada do site www.deviantart.com

sábado, janeiro 22, 2011

I'm back


Muita coisa mudou desde que usei o teclado com a finalidade de postar em meu blog, pela última vez. Foram muitas transformações - incertas e incompletas. Eu engordei. Minha barba engrossou. O meu cabelo cresceu. Consegui um estágio... Algo que há muito esperava, mas nem por isso deixei de buscar.

Modificações ocorreram, também, na família. Sinto que nos unimos mais. Que a maturidade chegou e trouxe consigo a tolerância e a união, de maneira que as batalhas diárias se tornem menos extenuantes. E o segredo para vencê-las, na maior parte do tempo, é o respeito. Pois odiar alguém que te acusa de um crime não te inocenta; esquecer sem perdoar não te torna mais leve; e ser duro como uma rocha só fará com que a água, que precisa ser escoada, se arremesse, forte, contra você.

Com os dias e as pessoas a gente aprende a tolerar e, no momento certo, falar. De maneira branda, que é para que um simples fio solto não acabe por se tornar um canal de altas tensão e voltagem. O tempo e a vida já são, por demais desgastantes. Não vale à pena estimular as rugas e conclamar os cabelos brancos. O ciclo natural da existência foi designado para tanto.

Então, é por isso que, agora, uso as teclas para compartilhar, rapidamente, parte de minha metamoforse que, uma vez iniciada, estará, para sempre, em processo de desenvolvimento.