segunda-feira, abril 26, 2010

Em Sentido Oposto

Cansei de procurar me entender. Ainda assim, arrisco-me com essa tarefa em se tratando dos outros. Estes que, se importam quando precisam. Que escutam quando convêm. Que abraçam quando querem ajuda.

Não, isto não é sentimentalismo barato ou melancolia aguda. É denúncia de injustiça, apenas. Falta de coerência. Com as ações e as palavras proferidas.

Não quero mais esconder-me no recôndito do meu quarto. Não pretendo manter o grito preso na garganta. Mesmo assim, entre sair e ficar, vou apenas deixar a porta aberta. Entre berrar e calar-me, dar-me-ei o direito de falar, apenas, um pouco mais alto.

Não para o mundo. Mas apara mim mesmo: agente em potencial e tranformador desta incomensurável "Caixa de Pandora". Que, em vez de respeitar o seu espaço, te sufoca. Que se acostumou a não mais lhe oferecer novas propostas. Que pouco se importa com que rumo sua vida tomará. Mesmo assim, neste mar de individualismo, agirei pensando em mim e naqueles que me cercam. Por mais cara que seja esta ação. Por mais dissabores que possa me oferecer. Vou andar na contramão. E seguirei de bicicleta, que é para ocupar menor espaço e poluir menos. Avançarei sem me esbarrar em ninguém. Sem "arranhar a lataria" dos outros. Minha proposta inclui o não-incômodo ou desconforto alheio.

Só quero ser feliz. E que, em meio a este universo governado pelo inverídico, minha sensação seja uma estranha e esquecida realidade.

terça-feira, abril 13, 2010

Em Meio ao Meio

Metade de mim quer acordar; a outra metade prefere ficar na cama. Ama.
Metade de mim ambiciona o frescor; a outra deseja o ardor. Dor.
Metade de mim anseia pelos raios intensos do sol; a outra metade pede para que o tempo se feche em chumbo e frio. Rio.
Metade de mim acha que deve avançar; a outra entende que o despenhadeiro esteja logo à frente. Rente. Ente.
Metade de mim almeja metaforizar sobre a vida e as situaçãoes que a mesma oferece; a outra metade acredita que tudo o que é pensado ou escrito a respeito é piegas e obsoleto (inclusive estas duas últimas palavras) - silêncio.
Metade de mim preferiria sorrir sempre; mas é a metade do choro que predomina. Mina.
Metade de mim opta por admitir que haverá um futuro promissor; a outra sabe que são só suposições. Posições.
Metade de mim requer o coloquialismo; a outra metade determina que eu seja formal. Forma. Mal.
Metade de mim é abstrata; a outra é concreta. Reta.
Metade é criativa, ousada e inovadora; a outra fede a mofo e abriga traças. Raças.
Metade de mim quer sempre uma das metades; a outra metade, também. Amém!